quinta-feira, 30 de abril de 2009

Post obrigatório!

Obrigatório postar sobre o meu 'atual realizado delírio de consumo': O filme! Como eu já tinha dito no post anterior, o filme é uma mistureba dos livros. Muda muita coisa, só não mudaram os personagens da minha cabeça! A Becky eu já a imaginava em sua forma real do filme por causa da capa, mas o Luke, a Suze foram 'exatamente' como imaginei. O Luke com aquele ar charmoso do Wagner Moura (confesso que fiquei impressionada como aquele ator consegue ficar tão despojado e tão lindo ao mesmo tempo!) e a Suze magra, alta... E a Alicia? Nossa! Imaginei a Alicia 'escrotamente' igual! heheheh Agora fiquei surpresa com o Tarquin... Becky, no livro, o descreve como desconcertado, esquisito... gente do céu! Me diz! O que tinha de esquisito naquilo? O homem era lindo! Mas tudo bem... essa parte do Tarquin é totalmente diferente no livro! Os delírios foram bem legais, retratados com os manequins falantes... diferente! Gostei da parte da terapia de grupo, apesar daquela facilitadora meio esquisita... enfim!

Confesso que me identifiquei mais com a angústia da personagem em ser uma pessoa autêntica, com sua busca por seu lugar no mundo, com sua necessidade de ser reconhecida pelo que faz e pelo que é! O figurino espalhafatoso (eu não imaginava que seria tão colorido! Na verdade não imaginei que fosse uma 'legalmente ruiva' vestida de pink) faziam parte do cenário e da personagem, eu não daria tanto valor às marcas e liquidações e não me considero consumista (talvez eu esteja na fase da NEGAÇÃO hauahauhaua But doesn't it). Eu sorri (DEMAIS!), eu chorei e me diverti bastante com Becky e seus delírios de consumo. Fiquei feliz, também, por as minhas amigas terem gostado do 'filme sessão da tarde' como elas geralmente dizem hehehe. Vale à pena!

Começa amanhã o pacote bônus = sexta-feriado + fim-de-semana! Porém, como nem tudo são flores... terei aula das 14h às 22h. Eu ainda não me preparei pra isso! Enfim, afogarei minhas mágoas em uma boa camaroada!

;D



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Maiara Marques εïз

terça-feira, 28 de abril de 2009

Good Morning!

Bom dia!

Cá estou eu antes das oitos já no estágio. Ontem a cidade estava um caos! Entre 15:30 e 20h consegui pegar (somando ao todo) cerca de 2 horas de congestionamento. Carros, chuva, buraco, buraco, chuva, carro. Não sei o que tinha mais! Fora minhas costas gritando de dor da tensão e da rigidez de enfrentar o trânsito consegui fazer todo o programado. UFMA à tarde e aula à noite. É... mas parece que a chuva de ontem lavou a cidade. Hoje pela manhã paira uma calmaria e pouco trânsito. Bons ares.

Estou super entusiasmada com o final do livro (estou lendo Delírios de Consumo de Becky Bloom). Ontem não consegui descansar depois do almoço... estava eufórica lendo! Prometi pra mim que iria ler só um capítulo, mas quem disse? Li três! Entre gritos e sorrisos tive que parar de ler. Restam apenas 3 capítulos e não vejo a hora de começar o próximo (que vai ter que esperar um pouquinho, pois eu PRECISO cumprir minha meta de estudo). Estou apaixonada pela Becky! Uma personagem viva, real, cheia de conflitos, ilusões e esperanças. Nada de contos de fadas na 5 Avenue. Já estou sabendo que o filme, por tentar agregar todos os livros em uma trilha só, perdeu muito em detalhes e até foge um pouco da história. But i don't care! Estou ansiosa por vê-lo. (ps. e ver também o Luke!)

Bom, é isso ai. Vou nessa. Afinal, alguém tem que trabalhar hehe

Bjs ;*



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Maiara Monteiro M. Leite

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Última palavra

Última palavra
Zeca Baleiro (cantor e compositor)

O Maranhão é um Estado do Meio Norte brasileiro, um preciosismo para nomear a região geograficamente multifacetada que é ponto de interseção entre o Nordeste e a Amazônia. Com área de 330 mil km2, pleno de riquezas naturais, tem fartas agricultura e pecuária, uma culinária rica e diversa e uma cultura popular exuberante. Não obstante tudo isso, pesquisa recente coloca o Estado como o segundo pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País, atrás apenas de Alagoas.

Sou maranhense. Nasci em São Luís, capital do Estado, no ano de 1966, mesmo ano em que o emergente político José Sarney assumiu o governo estadual, sucedendo o reinado soberano do senador Vitorino Freire, tenente pernambucano que se tornou cacique político do Maranhão, a dominar a cena estadual por quase 40 anos. De 1966 até os dias de hoje, são outros 40 anos de domínio político no feudo do Maranhão, este urdido pelo senador eleito pelo Amapá José Sarney e seus correligionários, sucedâneos e súditos, que gerou um império cujo sólido (e sórdido) alicerce é o clientelismo político, sustentado pela cultura de funcionalismo público e currais eleitorais do interior, onde o analfabetismo é alarmante.
O senador José Sarney, recém-empossado presidente do Senado em um jogo de caras barganhas políticas, parecia ter saído da cena política regional para dar lugar a ares mais democráticos, depois de amargar a derrota da filha Roseana na última eleição ao governo do Estado para o pedetista Jackson Lago. Mas eis que volta, por meio de manobras politicamente engenhosas e juridicamente questionáveis, para não dizer suspeitas, orquestrando a cassação do governador eleito, sob a acusação de crime eleitoral, conduzindo a filha outra vez ao trono de seu império. Suprema ironia, uma vez que paira sobre seus triunfos políticos a eterna desconfiança de manipulações eleitoreiras (a propósito, entre os muitos significados da palavra maranhão no dicionário há este: "mentira engenhosa").
Em recente entrevista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disparou frase cruel: "Não vamos transformar o Brasil num grande Maranhão." A frase, de efeito, aludia a uma provável política de troca de favores praticada pelo Planalto atualmente - segundo acusação do ex-presidente -, baseada em jogo de interesses regionais tacanhos e tráfico de influências. Como alguém nascido no Maranhão, e que torce para que o Estado alcance um lugar digno na história do País (potencial para isso não lhe falta, afinal!), lamento o comentário de FHC, mas entendo a sua ironia, pois o Maranhão tornou-se, infelizmente, ao longo dos tempos, um emblema do que de pior existe na política brasileira. Não é de admirar que divida o ranking dos "piores" com Alagoas, outro Estado dominado por conhecidas dinastias familiares.
Em seus tempos de apogeu literário, São Luís, a capital do Maranhão, tornou-se conhecida como a "Atenas brasileira". Mais recentemente, pela reputação de cidade amante do reggae, ganhou a alcunha de "Jamaica brasileira". Não me espantará que num futuro próximo o Maranhão venha a ser chamado de "Uganda brasileira" ou "Haiti brasileiro". A semelhança com o quadro de absoluta miséria social a que dois célebres ditadores levaram estes países - além do apaixonado apego ao poder, claro - talvez justificasse os epítetos.
Não preciso comentar nada, as palavras bem ditas de Baleiro se fecham em si mesmas e abrem as portas para meus gritos internos de revolta.

Direitos de Leitura


Achei super interessante a homenagem da Casa do Psicólogo ao Dia do Livro, mas gostei mais ainda da idéia do autor Daniel Pennac. Já tinha ouvido falar da forma maravilhosa como ele escreve, mas adorei o jeito como descreveu nossos direitos de leitura. Cofesso que não me permito "não ler", "pular páginas" e "não acabar de ler um livro". Confesso, também, que me permito ao 'Bovarismo' e 'reler' sempre que posso. O folder explica o que é Bovarismo, dê um click nele que dá pra ler.
Adorei!

Acervo Digital da Revista Veja

Recebi por email essa texto comunicando do Acervo Digital da Revista Veja. Aqui em casa assinamos a revista e apesar de eu não simpatizar muito com o conteúdo, quase totalitariamente, político da revista adorei a iniciativa. Excelente meio de comunicação, pesquisa e perpetuação das matérias.

A revista liberou o acervo em comemoração ao seu aniversário de 40 anos. A primeira edição da VEJA foi publicada em 11 de setembro de 1968. O sistema de navegação do acervo é similar ao da revista em papel: o usuário vai folheando as páginas digitais com os cliques do mouse. O acervo apresenta as edições em ordem cronológica, além de contar com um sistema de buscas, que permite cruzar informações e realizar filtros por período e editorias. Também é possível acessar um conjunto de pesquisas previamente elaborado pela redação do site da revista, com temas da atualidade e fatos históricos. Com investimento de R$ 3 milhões, o projeto é resultado de uma parceria entre a Editora Abril e a Digital Pages e levou 12 meses para ficar pronto. Mais de 2 mil edições impressas foram digitalizadas por uma equipe de 30 pessoas. O banco Bradesco patrocinou a iniciativa.

Todas as edições poderão ser consultadas na íntegra em formato digital no endereço http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx


Beijinhos, boa pesquisa e leitura!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sempre, sempre.

Música do dia:

'VEJA! Não diga que a canção Está perdida Tenha em fé em Deus Tenha fé na vida Tente outra vez!... BEBA! Pois a água viva Ainda tá na fonte Você tem dois pés Para cruzar a ponte Nada acabou! Não! TENTE! Levante sua mão sedenta E recomece a andar Não pense Que a cabeça agüenta Se você parar Não! Há uma voz que canta Uma voz que dança Uma voz que gira Bailando no ar QUEIRA! Basta ser sincero E desejar profundo Você será capaz De sacudir o mundo Vai! Tente outra vez! TENTE! E não diga Que a vitória está perdida Se é de batalhas Que se vive a vida'


Tente outra vez!...
Raul Seixas

terça-feira, 21 de abril de 2009

Linger [Prolongar]

As últimas semanas têm sido tão decisivas e turbuladas e meu post não vem no final de uma delas, e sim no início de outra. Creio que esses últimos meses têm sido moduladores na verdade remoduladores. Há muita bagunça, confusão, decepção, mágoa, desespero, indecisão, insegurança e lágrimas. As escolhas estão diante de mim e não é o sorriso que lhes vêm abrir a porta. Elas vêm acompanhadas de muita reflexão, introspecção, choro... Mais uma vez estou afogando tudo com tantas tarefas! Tantas escolhas ao mesmo tempo me faz não pensar em nenhuma delas... novamente o desejo de fugir.. Pra onde? Pra calmaria... pro vento, pra areia, pro balançar, pro respirar.... E respirar tem me feito bem... A angústia latente remexe meus órgãos. Troca pulmão e coração de lugar. Quando respiro fundo sinto que as coisas estão se organizando aqui dentro.

Ano passado foi um ano muito árduo e eu sabia que esse ano não seria diferente. Estudar a psique não é fácil... viver psique muito menos. Sei que estou em formação (afinal, eu curso uma graduação), mas estou verdadeiramente em FORMAÇÃO. Já neguei, sublimei, recalquei, transferi, racionalizei... usei os possíveis de mecanismo de defesa do meu ego e nada adiantou. Todos eles vieram à tona. Eles quem? Os sentimentos que acompanham as escolhas... Mas a solução já estava posta! Eu iria novamente contra todos eles... sem me dá conta do que estava se passando, percebo agora que estou na mesma de antes. Eles não foram resolvidos só estavam escondidos... e agora, como uma criança que não sabe dizer de si, aparecem nas minhas costas. Sim, elas podem gritar, latejar, gemer, retorcer, incomodar! Sim, a elas é permitido doer! E elas doem....

Não entendo porque falo da Psicanálise! Quem disse que eu queria falar da Psicanálise? E por que ela vem à mente, então? Poderia ser Behaviorismo, Existencial, Fenomenológico, Centrado na pessoa... mas não! É a Psicanálise que me vem à mente.... E eu me transcrevo e descrevo por meio dela.

Essa semana iniciei um novo estágio. Da seleção para somente uma vaga eu fui a ‘contemplada’. Coeficiente, Prova, Testes Psicológicos, Redação, Entrevista... eu passei... É passei... Quando soube da notícia (umas 3 semanas atrás) comecei a chorar... Chorei como criança. Felicidade? Tristeza? Confirmação? Afirmação? Recompensa? Desespero? Angústia? As lágrimas tiveram um 'q' de tudo isso e muito mais que não consigo descrever... And now? All dreams, All plans... Where are you? A difícil decisão de escolher entre o certo e o duvidoso... entre o que é realidade e o que se sonha, entre o que se planeja e o que se realiza: a tênue linha da escolha.

Uma parte de mim que é angústia a outra que é desesperança... Uma conversa bastou. Vomitar descrevendo sentimentos não é fácil, dirá racional! Não caber na roupa não foi suportável. Implodiria... implodirei quem sabe no futuro, mas agora há paz. Dizer o que está bem pra você e o que não está faz bem, me fez muito bem. Menos uma carga na longa viagem. Ser ouvida e compreendida (espero) liberta a alma. Sim, liberta!

As angústias não se foram... são permeadas de medo e desesperança. De testes, comprovações e desaprovações. O que está petrificado aqui, paralisado vai derretendo aos poucos. E ele não pode me deter, pois uma força que desconheço é maior que ele e me faz prosseguir, retestar, elaborar, viver e reviver.

Ao final da semana me surge um convite (novo). Uma nova experiência... na verdade prefiro pensar nele como um convite à loucura! Paranoizar nele até completos os futuros 5 meses... Mas sei que o esquecerei, como faço com todos os outros, e a escolha dele (ou não) só será pensada lá na frente. Nesse intervalo, estarei ocupada demais com os gritos de dor das minhas costas, pois esses não posso esquecer e eles vêm prolongando os dias.

É... mas não quero, com um click, avançar todo incômodo e ser anestesiada pelo piloto automático. Prefiro a intensidade, o desespero, insegurança! E isso não é sinônimo de fortaleza, talvez seja de estrutura do meu eu.

Sobreviverei. Talvez. No tal dessa vez.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Teste

Estou testando as coisinhas novas no blog =] Muitas postagens na minha cabeça, mas sem tempo total pra postar!
Então, fica essa teste por aqui... Vamos ver se presta!

Bjs e ótimo fim-de-semana pra nós ;*

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Maiara Marques εïз

domingo, 5 de abril de 2009

Entre caminhos, passos e abraços

Ela está vestida em uma roupa que não é dela. O resultado não poderia ser outro: está deslocada. Ora sente-se solta dentre de uma roupa grande demais. Tão solta que não pára em um lugar, vai de um lado a outro, desestabilizada, sem proteção, insegura. Ora apertada demais, querendo transbordar por todas as extremidades e poros. Não consegue mais ficar como está, vai explodir, se não pra fora, implodirá! Geralmente o que se faz quando a roupa está apertada? Livra-se dela ou emagrece pra caber, não é? Pois é! Ela não tem acesso a nenhuma das opções. Não pode simplesmente livrar-se (na verdade não quer, não está preparada pra isso) e, ao se ver apertada pela calça, não consegue tornar-se light, adequada. Então, compensa de outro jeito: torna-se outra. Começa a definhar, esvair, vai perdendo-se aos poucos, tornando-se vazia, vazia de sentido, de autenticidade, vazia de eu e ao final, torna-se outra! Tudo isso pra caber na roupa!? (Sim?!)

E vamos ao lado da roupa. A roupa tá lá. Não pode ser diferente, a menos que ela queira ser diferente. Forte em suas linhas e pontos. Com o tempo já até cedeu, ficou o mais larga que conseguiu. Ficou tão larga que perdeu a sensibilidade. Agora não sente mais que ela que está dentro ainda está por alargar algo que não alarga mais. A roupa sente-se o máximo, feliz, completa. Se sente algum incômodo, uma vez ou outra, joga-se na lavagem e volta mais rígida, apertada, prende-se na rotina, agora está mais segura de toda influência externa. (e a interna?)

Ao final, tem-se ela que não cabe na roupa, mas quer caber. Ajusta aqui e ali, já perdeu o sentido e agora? O que mais perderá? Quanta disposição! Insiste, persiste, dorme, anestesia-se. Vai caminhando, vivendo, sem saber pra onde. Sem expectativas, sem esperanças... Mas o que a fez ficar assim tão inadequada? É que ela (que está dentro) já cedeu tanto que vê-se obrigada a esvaziar-se, só que não pra fora! Pra dentro de si. Então ela obedece, vai se tornando a maior das mentiras! Já não é mais ela. É outra! E agora? Sendo outra não tornar-se-á mais a completude da roupa! Trágico, não? Sem expressão, sem brilho, sem autenticidade ela paralisa e espera a hora de acontecer.

E as partes não fizeram o máximo que podiam pra estar juntas, completas? E de quem foi o erro? De ninguém elas é que jamais serão 2 em 1 e não sabiam...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

“Com que Corpo eu vou?”

Treino de monografia: Análise que fiz de dois textos da Maria Rita Kehl “Visibilidade e Espetáculo” e “Com que Corpo eu vou?”. Fiquei fascinada pelo segundo título, por isso o copiei. Mas diga-se de passagem que todos os créditos são de Kehl, que por sinal eu Recomendo!

O que escrever em uma análise? Antes de me dedicar a escrever, conduzindo uma análise de dois textos referentes a uma forma de ver o mundo e encarar os fatos, devo fazer notável a profunda admiração à escrita da dona dessa maneira de encarar o mundo e apreciar os fatos. Digo isso, por que não se tratar de uma simples observação do real ou uma crítica a programas que tentam, através do sensacionalismo, reproduzir a realidade (distorcida, claro). A autora se faz profunda e consistente conhecedora dos elementos que regem os comportamentos sociais, bem como matérias de história, política, psicanálise, e além de tudo, uma capacidade fascinante de articulação de idéias, interiorização de memórias no texto e linguagem clara e objetiva. Com tudo isso, torna-se difícil reescrever ou dizer alguma coisa que já foi tão bem dita.

Os textos lidos trazem questões referentes à vivência do ser humano na sociedade pós-moderna, que a autora chama de ‘sociedade do espetáculo’. Tal sociedade é marcada, não mais pelas regras ditadas pela burguesia de outrora, mas pela a inversão destes ideais (‘ideais pelo avesso’) agregados a novas formas de expressão, identificação e atuação no mundo.

Percebe-se que os ‘sobreviventes da nave’ chamada de ‘vida em uma sociedade do espetáculo’ estão, não confinados em uma super casa com todos os aparatos para uma boa vida de descanso, festas e testes de resistência, mas estão a todo instante convivendo com a real realidade (não é uma redundância). Aliás, a única coisa que se pode ver em comum, são as provas de resistência. Quem está aqui pelo lado de fora precisa, realmente, de muita força, habilidade, jogo de cintura, e determinação para aprender a lidar com os ideais, que a todo tempo lhe são impostos.

Esses ideais dos quais me refiro são os famosos mesmo: ideal de beleza, perfeição, pessoas sem problemas, 100% equilibradas, pessoas independentes que não precisam de ninguém para se auto-resolverem, pessoas muito confiantes de si que jamais passam por crises de identidade. Essas jamais precisam parar para pensar em quem são, o que fazem e dizem. Elas são elas e o resto é perda de tempo. Será que são pessoas mesmo? Pura ilusão de identidade.
Ironicamente, os que ficam presos ao gozo fálico são os alvos mais fáceis da espetacular sociedade, onde o corpo é a passarela onde sambam grifes, operações plásticas, dietas irracionais, hormônios, anabolizantes, consumismo desenfreado. Sociedade do espetáculo cuja cultura é o narcisismo.

A busca por ocupar aquele lugar de perfeição idealizado pelo Outro (Outro-sociedade, Outro-moda, Outro-televisão, Outro-magreza, Outro-outros), que diga-se de passagem, ninguém jamais poderá ocupar tal simbolismo, está transformando pessoas capazes de oferecer um discurso em odres vazios de identificação. Ou seja, as ações que poderiam levar uma pessoa a constituir significância em uma sociedade estão sendo massificadas, destituídas de particularidades, interesses e discursos, fatos que o fariam diferenciar do todo. Segundo Kehl, “a massa produz o efeito de uma imagem o mais vazia possível a fim de propiciar o maior número de identificações” (p.154). O sujeito é de todos e não é de ninguém, fica oculto no processo.
Essa imagem do corpo próprio que deve ser o mais parecido possível com o corpo Outro, de preferência sem história, sem sofrimento e sem falhas, atendendo ao Eu-Ideal, serve de suporte para a construção de uma ilusão de identidade para os sujeitos da sociedade do espetáculo. Ele supõe que é o que o Outro espera que ele seja. Constrói uma experiência de si alheia ao que considera como domínio subjetivo do eu.

Diante da frustração desesperada da suposição dita acima e o entupimento de todas as ‘veias’ de expressão o sintoma só acha uma saída diante de toda pressão e idealização de perfeição: o corpo. Sim, o próprio corpo paga o preço, através dos sintomas psicossomáticos, pela recusa da dimensão inconsciente, dos sentimentos não expressos (ou erroneamente expressos) e da intenção de perfeição.

Os novos sintomas como os transtornos alimentares, compulsões por exercícios físicos, exageradas e irracionais intervenções cirúrgicas de modelagem do corpo, sexualidade compulsiva, a exigência da ação, o terror da passividade, transtornos de ansiedade, doenças cardiovasculares, palpitações, cefaléias frequentes, cansaço crônico, crises de asma, desordens gastrointestinais ou úlceras, dores cervicais, insônia, hipertensão, alergias, alterações hormonais e outros são a expressão psíquica diante do mal-estar contemporâneo.

Portanto, vê-se que a produção de um sistema fechado, rígido em seu conceito de belo, e claustrofóbico, como diz Kehl, acarretará na construção de vidas fixadas diante do espelho e desprovidas de sentido que, provavelmente, serão encaminhadas para a clínica da psicopatologia do corpo na vida cotidiana.