domingo, 5 de abril de 2009

Entre caminhos, passos e abraços

Ela está vestida em uma roupa que não é dela. O resultado não poderia ser outro: está deslocada. Ora sente-se solta dentre de uma roupa grande demais. Tão solta que não pára em um lugar, vai de um lado a outro, desestabilizada, sem proteção, insegura. Ora apertada demais, querendo transbordar por todas as extremidades e poros. Não consegue mais ficar como está, vai explodir, se não pra fora, implodirá! Geralmente o que se faz quando a roupa está apertada? Livra-se dela ou emagrece pra caber, não é? Pois é! Ela não tem acesso a nenhuma das opções. Não pode simplesmente livrar-se (na verdade não quer, não está preparada pra isso) e, ao se ver apertada pela calça, não consegue tornar-se light, adequada. Então, compensa de outro jeito: torna-se outra. Começa a definhar, esvair, vai perdendo-se aos poucos, tornando-se vazia, vazia de sentido, de autenticidade, vazia de eu e ao final, torna-se outra! Tudo isso pra caber na roupa!? (Sim?!)

E vamos ao lado da roupa. A roupa tá lá. Não pode ser diferente, a menos que ela queira ser diferente. Forte em suas linhas e pontos. Com o tempo já até cedeu, ficou o mais larga que conseguiu. Ficou tão larga que perdeu a sensibilidade. Agora não sente mais que ela que está dentro ainda está por alargar algo que não alarga mais. A roupa sente-se o máximo, feliz, completa. Se sente algum incômodo, uma vez ou outra, joga-se na lavagem e volta mais rígida, apertada, prende-se na rotina, agora está mais segura de toda influência externa. (e a interna?)

Ao final, tem-se ela que não cabe na roupa, mas quer caber. Ajusta aqui e ali, já perdeu o sentido e agora? O que mais perderá? Quanta disposição! Insiste, persiste, dorme, anestesia-se. Vai caminhando, vivendo, sem saber pra onde. Sem expectativas, sem esperanças... Mas o que a fez ficar assim tão inadequada? É que ela (que está dentro) já cedeu tanto que vê-se obrigada a esvaziar-se, só que não pra fora! Pra dentro de si. Então ela obedece, vai se tornando a maior das mentiras! Já não é mais ela. É outra! E agora? Sendo outra não tornar-se-á mais a completude da roupa! Trágico, não? Sem expressão, sem brilho, sem autenticidade ela paralisa e espera a hora de acontecer.

E as partes não fizeram o máximo que podiam pra estar juntas, completas? E de quem foi o erro? De ninguém elas é que jamais serão 2 em 1 e não sabiam...

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